domingo, 18 de abril de 2010

Um longo inverno

Eu gosto do inverno. Gosto de chuva e de frio, sobretudo se puder estar a descansar, a ver e a ouvir o crepitar do fogo numa lareira e a sentir o cheiro da lenha, a deixar-me embalar pelo barulho da chuva lá fora, fazer um grande lanche com scones e bolachas caseiras, daquelas que enchem a casa com o seu cheiro divinal. Mas também gosto da Primavera, cada vez menos presente, em que se sente a vida a surgir e a invadir de cor as memórias cinzentas que nos ficam dos meses anteriores. Sempre choveu na primavera, mas havia também dias de sol no inverno. Depois deste que passou, está a custar-me que o sol dos últimos dias tenha partido e com ele a primavera...

sábado, 17 de abril de 2010

Para começar

Este é um dos meus poemas favoritos. Sei-o de memória apesar de não ser dotada para memorizar. Sei-o de tanto o contemplar, primeiro nas paredes do meu quarto, depois em pequenos quadros no escritório lá de casa. É do Pablo Neruda e parece-me um bom ponto de partida.

O Teu Riso

Tira-me o pão se quiseres
Tira-me o ar
Mas não me tires o teu riso
Não me tires a rosa, a lança que desfolhas
A água que de súbito brota da tua alegria
A repentina onda de prata que em ti nasce

A minha luta é dura e regresso de olhos cansados
às vezes por ver que a terra não muda
Mas ao entrar, teu riso sobe ao céu a procurar-me
E abre-me todas as portas da vida

Meu amor, nos momentos mais escuros
solta o teu riso
e se de súbito vires que o meu sangue mancha as pedras da rua,
ri
porque o teu riso será para as minhas mãos como uma espada fresca.

À beira do mar, no Outono,
Teu riso deve erguer sua cascata de espuma
E na Primavera, amor,
Quero o teu riso como a flor que esperava
A flor azul
A rosa da minha pátria sonora.

Ri-te da noite, do dia, da lua
Ri-te das ruas tortas da ilha
Ri-te deste grosseiro rapaz que te ama.
Mas quando abro os olhos e os fecho,
Quando meus passos vão
Quando voltam meus passos
Leva-me o pão, o ar, a luz, a primavera,
Mas nunca o teu riso,
Porque então morreria.

Pablo Neruda

Mais vale tarde...

Finalmente criei um blogue. É estranho que alguém para quem a escrita é algo tão essencial tenha resistido tanto tempo a criar um. Porquê? Ocorrem-me várias razões: dificuldade em mostrar o que escrevo, preferir escrever em papel, preguiça (sim, é verdade, também me assalta de vez em quando...), falta de vontade, etc, etc. Mas hoje estou em Évora, sentada ao pé da lareira, sem as distracções que costumo ter em casa e achei que, apesar de parecer um momento tão bom como outro qualquer, tem mais aquele quê que tem faltado...

Não sei ainda o que vai ser, se vou conseguir mantê-lo, que tipo de informação vou publicar... logo se vê... o que importa é ter começado.